WELCOME BACK DOUTOR SALAZAR
Hoje, falei para uma sala cheia de gente "da cultura". Enquanto a maioria enchia a mula no buffet do pago pelo teatro, procurei chamar a atenção para as trevas que se foram estendendo sobre nós, fruto do desprezo de tantos e tantos governos pela Cultura. No meio da chinfrineira e do barulho do mastiganço percebi uma coisa muito simples: está-se tudo a cagar. Querem o pão e o vinho sobre a mesa. De preferência via subsídio.
Hoje, de cima de um palco, desisti do meu país.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
26 de março de 2007
25 de março de 2007
RAPIDINHAS
1. Enquanto escrevo, arrasta-se o programa GRANDES PORTUGUESES, na tv. Por mais voltas que se dê, tudo vai sempre parar ao Salazar. Não sei se ganhou a coisa ou não, mas que é o mais falado, isso...
2. Ainda na televisão, vejo mais um programa de humor do Herman. Repito o sentimento de estar perante alguma coisa de patético que me assolou nos anos 8o quando Nicolau Breyner tentava ter graça com travestis cantores.
3. Pedem-me para escrever sobre o teatro português. Não me lembro de nada de interessante. As palavras "pretensão", "tédio" e "umbigo" assolam-me.
4. Não há novidades com a árvore dos vizinhos de baixo. Ainda restam algumas flores e, como já vi melhor, só posso deduzir que se esteja a formar fruto.
1. Enquanto escrevo, arrasta-se o programa GRANDES PORTUGUESES, na tv. Por mais voltas que se dê, tudo vai sempre parar ao Salazar. Não sei se ganhou a coisa ou não, mas que é o mais falado, isso...
2. Ainda na televisão, vejo mais um programa de humor do Herman. Repito o sentimento de estar perante alguma coisa de patético que me assolou nos anos 8o quando Nicolau Breyner tentava ter graça com travestis cantores.
3. Pedem-me para escrever sobre o teatro português. Não me lembro de nada de interessante. As palavras "pretensão", "tédio" e "umbigo" assolam-me.
4. Não há novidades com a árvore dos vizinhos de baixo. Ainda restam algumas flores e, como já vi melhor, só posso deduzir que se esteja a formar fruto.
23 de março de 2007
SILLY SEASON
Não tenho tido nada para colocar neste blogue, porque nada aconteceu. Está tudo suspenso. Como uma tarde pesada de calor, as nuvens em cima, a escurecerem de quando em vez o céu. E nós por baixo a abanarmo-nos com o que apanhamos à mão.
Da cozinha vem o ruído de conversas sobre impostos, aeroportos, reality shows de nerds e meninas imbecis. Mas nada disso conta...
A silly season chegou mais cedo, este ano.
Não tenho tido nada para colocar neste blogue, porque nada aconteceu. Está tudo suspenso. Como uma tarde pesada de calor, as nuvens em cima, a escurecerem de quando em vez o céu. E nós por baixo a abanarmo-nos com o que apanhamos à mão.
Da cozinha vem o ruído de conversas sobre impostos, aeroportos, reality shows de nerds e meninas imbecis. Mas nada disso conta...
A silly season chegou mais cedo, este ano.
17 de março de 2007
NÃO HÁ ANIVERSÁRIOS SEM PRENDAS...
E estas são todas para as crianças e jovens... nos anos 70.
1:
2
3: E para os menos novos...
4: e mais esta.
E como tudo tem de se pagar, uns momentos de publicidade
E estas são todas para as crianças e jovens... nos anos 70.
1:
2
3: E para os menos novos...
4: e mais esta.
E como tudo tem de se pagar, uns momentos de publicidade
16 de março de 2007
OK... E VAI MAIS UMA VELA!
Este mês faz o Prazer_Inculto 4 anos.
Apareceu na altura em que éramos muito poucos em Portugal. E é talvez um dos únicos que resistiu desde esses dias. A Coluna Infame sumiu-se, o Blogue de Esquerda mudou-se, a Janela Indiscreta fechou-se definitivamente.
Na verdade, a não ser que se queira dar recados ao mundo ou obter visibilidade, como o fazem os políticos seguindo o movimento iniciado pelo ortograficamente a desejar Pacheco Pereira, isto dá trabalho e não tem utilidade de maior.
Mas foi divertido verificar a evolução desde a "pré-história" dos blogues (com "e"), ver como os jornalistas e os "homens de cultura" começaram por desprezar ostensivamente este meio e agora todos têm um blogue, quando não mais.
Os blogues também trouxeram ao de cim o pior que havia em Portugal. Gente obscura que leccionava coisinhas em faculdades ou tentava, em vão, que as editoras publicassem qualquer coisa sua, tornaram-se "autoridades" devido ao veneno que lhe corrompia a lama. O povo adora ver os répteis a destilar. Ajuda a esquecer as suas próprias patinhas de lagarto triste.
Para mim, tem-me servido para dizer, na hora, o que penso do meu país. E de aprender com alguns dos comentários que acompanharam os quase dois mil textos que aqui publiquei. Obrigado aos que se deram ao trabalho de me corrigir ou iluminar sobre os mais diversos assuntos.
Também tem sido uma ponte com os meus leitores espalhados pelo mundo. Através dos comentários ou do e-mail do blogue recebi muitas centenas mensagens ao longo destes anos. Umas boas, outras nem por isso, mas quase todas sinceras. O meu obrigado também por isso.
E vou continuar, enquanto que me parecer interessante, a escrever aqui. Até logo.
Este mês faz o Prazer_Inculto 4 anos.
Apareceu na altura em que éramos muito poucos em Portugal. E é talvez um dos únicos que resistiu desde esses dias. A Coluna Infame sumiu-se, o Blogue de Esquerda mudou-se, a Janela Indiscreta fechou-se definitivamente.
Na verdade, a não ser que se queira dar recados ao mundo ou obter visibilidade, como o fazem os políticos seguindo o movimento iniciado pelo ortograficamente a desejar Pacheco Pereira, isto dá trabalho e não tem utilidade de maior.
Mas foi divertido verificar a evolução desde a "pré-história" dos blogues (com "e"), ver como os jornalistas e os "homens de cultura" começaram por desprezar ostensivamente este meio e agora todos têm um blogue, quando não mais.
Os blogues também trouxeram ao de cim o pior que havia em Portugal. Gente obscura que leccionava coisinhas em faculdades ou tentava, em vão, que as editoras publicassem qualquer coisa sua, tornaram-se "autoridades" devido ao veneno que lhe corrompia a lama. O povo adora ver os répteis a destilar. Ajuda a esquecer as suas próprias patinhas de lagarto triste.
Para mim, tem-me servido para dizer, na hora, o que penso do meu país. E de aprender com alguns dos comentários que acompanharam os quase dois mil textos que aqui publiquei. Obrigado aos que se deram ao trabalho de me corrigir ou iluminar sobre os mais diversos assuntos.
Também tem sido uma ponte com os meus leitores espalhados pelo mundo. Através dos comentários ou do e-mail do blogue recebi muitas centenas mensagens ao longo destes anos. Umas boas, outras nem por isso, mas quase todas sinceras. O meu obrigado também por isso.
E vou continuar, enquanto que me parecer interessante, a escrever aqui. Até logo.
JÚLIO DINIS
Para acrescentar mais um prego ao caixão que a neo-crítica de vez em quando se entretém a construir-me, tenho de confessar que ando a reler o Júlio Dinis. Mais: estou a gostar de reler a sua obra. Sobretudo, porque me está a obrigar a deitar fora o preconceito de uma certa "ligeireza" que me foi surgindo com a ausência de rever o seu trabalho. Tinha-me esquecido que a sua prosa é bastante mais complexa do que algumas ideias românticas que hoje nos parecem simples e fora de moda.
Para os traumatizados com a "Família Inglesa" do liceu e com as adaptações dos anos 90 da RTP, recomendo a revisitação de A Morgadinha dos Canaviais. Está lá tudo. Nomeadamente um autor moderno e liberal.
Para acrescentar mais um prego ao caixão que a neo-crítica de vez em quando se entretém a construir-me, tenho de confessar que ando a reler o Júlio Dinis. Mais: estou a gostar de reler a sua obra. Sobretudo, porque me está a obrigar a deitar fora o preconceito de uma certa "ligeireza" que me foi surgindo com a ausência de rever o seu trabalho. Tinha-me esquecido que a sua prosa é bastante mais complexa do que algumas ideias românticas que hoje nos parecem simples e fora de moda.
Para os traumatizados com a "Família Inglesa" do liceu e com as adaptações dos anos 90 da RTP, recomendo a revisitação de A Morgadinha dos Canaviais. Está lá tudo. Nomeadamente um autor moderno e liberal.
13 de março de 2007
11 de março de 2007
V - DE VITÓRIA DO PIMBA
Para alguns será coincidência o facto de termos como presidente da república, Cavaco Silva, o proprietário (ex?) da vivenda Mariani, Santana Lopes ser notícia constante do telejornal ao arejar a boca, falando, e o resultaddo do Festival RTP da Canção.
Cada um poderá avaliar. Mas, mesmo com todas as deficiências e derrapanços de talento, ainda assim, sempre se elegeram canções escritas pelo Ary dos Santos e outras defendidas por cantores a sério, ao longo de todos estes anos.
A vitória de uma criatura chamada Sabrina, a cantar uma canção do Emanuel ("Nós Pimba, nós pimba!") é a chegada ao topo do bolo da cereja ranhosa em que nos transvestimos. Uns chamar-lhe-ão "coincidência",outros, como eu, "conjuntura"...
Se não, vejamos:
Para alguns será coincidência o facto de termos como presidente da república, Cavaco Silva, o proprietário (ex?) da vivenda Mariani, Santana Lopes ser notícia constante do telejornal ao arejar a boca, falando, e o resultaddo do Festival RTP da Canção.
Cada um poderá avaliar. Mas, mesmo com todas as deficiências e derrapanços de talento, ainda assim, sempre se elegeram canções escritas pelo Ary dos Santos e outras defendidas por cantores a sério, ao longo de todos estes anos.
A vitória de uma criatura chamada Sabrina, a cantar uma canção do Emanuel ("Nós Pimba, nós pimba!") é a chegada ao topo do bolo da cereja ranhosa em que nos transvestimos. Uns chamar-lhe-ão "coincidência",outros, como eu, "conjuntura"...
Se não, vejamos:
9 de março de 2007
6 de março de 2007
O MEDO DE EXISTIR
Tudo neste país nos pede que rastejemos. Mesmo quando queremos caminhar de cabeça erguida. "Não ouses!". "Não inventes", "Não vejas para lá do descoberto". E se fizermos isso, safamo-nos. Somos capazes de se safar.
Se caminharmos como vermes, no sulco deixado por outros vermes na lama, progredimos. Podemos até ser louvados. Suma cum laude.
Pensei durante muito tempo que a razão para este "medo de existir", como disse o filósofo Gil, residia na ditadura recente da qual nos livramos há apenas 30 anos. Julgo poder afirmar agora estar enganado. Salazar, os salazaristas e os salazarentos trémulos são apenas a imagem daquilo que na verdade somos, enquanto país. Na verdade, Portugal não É a coragem dos que partiram nas caravelas. Portugal assenta nos que ficaram a gritar na praia, que voltassem para trás, que para lá da horizonte só poderia haver monstros. Tudo no meu país me pede que não cresça. Que seja mais um. Que não proponha. Que não questione. Que não arrisque.
Ele não tem culpa, o meu país. É feito de lama comezinha. Povoado com carneirinhos mansos.Como as ondinhas da maré baixa, num domingo morno de fim de Verão.
Eu é que não sei se sou capaz de me conformar com a meia-vida que me propôem.
Tudo neste país nos pede que rastejemos. Mesmo quando queremos caminhar de cabeça erguida. "Não ouses!". "Não inventes", "Não vejas para lá do descoberto". E se fizermos isso, safamo-nos. Somos capazes de se safar.
Se caminharmos como vermes, no sulco deixado por outros vermes na lama, progredimos. Podemos até ser louvados. Suma cum laude.
Pensei durante muito tempo que a razão para este "medo de existir", como disse o filósofo Gil, residia na ditadura recente da qual nos livramos há apenas 30 anos. Julgo poder afirmar agora estar enganado. Salazar, os salazaristas e os salazarentos trémulos são apenas a imagem daquilo que na verdade somos, enquanto país. Na verdade, Portugal não É a coragem dos que partiram nas caravelas. Portugal assenta nos que ficaram a gritar na praia, que voltassem para trás, que para lá da horizonte só poderia haver monstros. Tudo no meu país me pede que não cresça. Que seja mais um. Que não proponha. Que não questione. Que não arrisque.
Ele não tem culpa, o meu país. É feito de lama comezinha. Povoado com carneirinhos mansos.Como as ondinhas da maré baixa, num domingo morno de fim de Verão.
Eu é que não sei se sou capaz de me conformar com a meia-vida que me propôem.
| Venham mais cinco ... |
2 de março de 2007
SCHOOL OF ARTS
Ao almoço, converso com um professor sobre a utilidade da formação pedagógica ministrada via Escola Superior de Educação. Do lado de lá encontro a certeza que esta "profissionalização" foi totalmente inútil. Que é mais um pro forma sem ligação à realidade. Depois eu falei-lhe da minha experiência enquanto formador pedagógico (em cursos ministrados por empresas privadas, claro) e de como pode ser gratificante e útil este processo para todos. Ficou claro que eram dois assuntos diferentes.
No Metro, duas miúdas, teens. "A escola tem tudo a ver com sorte, tás a ver?!", "Ya", "E se os setores gostam ou não da gente. A setora de português do décimo não gostava de mim...", ajeita as jeans, triste, "Ya, não gostava...".
A escola é um bolinho chinês, portanto.Depende dos papelinhos.
Ao almoço, converso com um professor sobre a utilidade da formação pedagógica ministrada via Escola Superior de Educação. Do lado de lá encontro a certeza que esta "profissionalização" foi totalmente inútil. Que é mais um pro forma sem ligação à realidade. Depois eu falei-lhe da minha experiência enquanto formador pedagógico (em cursos ministrados por empresas privadas, claro) e de como pode ser gratificante e útil este processo para todos. Ficou claro que eram dois assuntos diferentes.
No Metro, duas miúdas, teens. "A escola tem tudo a ver com sorte, tás a ver?!", "Ya", "E se os setores gostam ou não da gente. A setora de português do décimo não gostava de mim...", ajeita as jeans, triste, "Ya, não gostava...".
A escola é um bolinho chinês, portanto.Depende dos papelinhos.
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